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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Olá, pessoal!!! Este espaço pode ser nosso ponto de encontro, tipo happy hour, quem sabe nosso cantinho para interação, jogar conversa fora, falar de nós, de nossas coisas, que acham? estou postando o Poema de Amigo Aprendiz, ele representa exatamente o que penso sobre as relações entre sujeitos com interesses em comum. E, espero contribuição de vocês, para isso vou add como colaboradores. abçssss

Poema de amigo aprendiz Fonte: Mensagens e Poemas

Quero ser o teu amigo
Nem demais e nem de menos
Nem tão longe,
nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder
Mas amar-te, sem medida
E ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade
Sem jamais te sufocar
Sem forçar tua vontade
Sem falar quando for hora de calar,
E sem calar,
quando for hora de falar.
Nem ausente,
nem presente por demais
Simplesmente,
calmamente,
SER-TE PAZ...
É bonito ser amigo.
Mas confesso,
é tão difícil aprender!
É por isso que te suplico paciência
Vou encher este rosto de lembranças.
Dá-me tempo de acertar nossas distâncias!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

MERCADO PÚBLICO DE PELOTAS


MERCADO PÚBLICO PELOTENSE

          Escolhi o Mercado porque gosto de imaginar a infinidade de situações que ele presenciou desde sua criação. Já imaginaram os comerciantes chegando de todos os lugares, com produtos os mais variados possíveis para serem lá vendidos?
        Além do mais deve ter testemunhado  muitas histórias, barganhas, romances, alegrias, tristezas  de amor, saudade de um amor distante, sem falar numa gama de tipos, personagens, que por ali circulavam. Foram eles que contribuíram para a formação da população pelotense. Imaginem a cena?  Só de pensar fico deslumbrada. E, ao mesmo tempo, percebo que sua imponência ainda influi na vida dos pelotenses e visitantes. Inclusive na minha, pelotense de coração há quase dez anos. Não há quem nao passe, chegue e compre, no Mercado Público. Eu não só passo, como também, entro, caminho, investigo, pesquiso, olho e, quase sempre, compro e tomo um cafezinho.
        Ele facilita minha vida, pois é lá que busco meu peixe, camarão, e muitas outras coisas para meu dia a dia. E, agora em reforma, está sem ânimo, cansado, mas sei que logo, logo voltará a brilhar. Seus espaços vão se encher de gente novamente: sorrisos, cumprimentos, oferecimento. Gente vendendo, outros comprando... Sem falar nas  inúmeras possibilidades que se abrirão... Amizades, um cafezinho, talvez suco, não sei. Só sei que ele surge no cenário do centro pelotense, grandioso e belo, imponente, vitorioso, pois resistiu ao tempo e aos homens. Venceu e continua em pé, de braços (seriam portas???) abertos a todos que nele busquem serviços, produtos ou, simplesmente, abrigo e um banco para descansar enquanto leem o jornal ou jogam conversa fora.
       Portanto, ele é o símbolo da cidade, é o coração. E, em suas artérias circulam o sangue da cidade: seus habitantes.

O LUTADOR

 

(Carlos Drummond de Andrade)
Lutar com palavras
é a luta mais vã.
No entanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
Algumas, tão fortes
como o javali.
Não me julgo louco.
Se o fosse, teria
poder de encantá-las.
Mas lúcido e frio,
apareço e tento
apanhar algumas
para meu sustento
num dia de vida.
Deixam-se enlaçar,
tontas à carícia
e súbito fogem
e não há ameaça
e nem há sevícia
que as traga de novo
ao centro da praça.
Insisto, solerte.
Busco persuadí-las.
Ser-lhes-ei escravo
de rara humildade.
Guardarei sigilo
de nosso comércio.
Na voz, nenhum travo
de zanga ou desgosto.
Sem me ouvir deslizam,
perpassam levíssimas
e viram-me o rosto.
Lutar com palavras
parece sem fruto.
Não têm carne e sangue...
Entretanto, luto.
Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate.
Quisera possuir-te
neste escampado,
sem roteiro de unha
ou marca de dente
nessa pele clara.
Preferes o amor
de uma posse impura
e que venha o gozo
da maior tontura.
Luto corpo a corpo,
luto todo o tempo,
sem maior proveito
que o da caça ao vento.
Não encontro vestes,
não seguro formas,
é fluido inimigo
que me dobra os músculos
e ri-se das normas
da boa peleja.
Iludo-me às vezes,
pressinto que a entrega
se consumirá.
Já vejo palavras
em coro submisso,
esta me ofertando
seu velho calor,
outra sua glória
feita de mistério,
outra seu desdém,
outra seu ciúme,
e um sapiente amor
me ensina a fruir
de cada palavra
a essência captada,
o sutil queixume.
Mas ai! É o instante
de entreabrir os olhos:
entre beijo e boca,
tudo se evapora.
O ciclo do dia
ora se consuma
e o inútil duelo
jamais se resolve.
O teu rosto belo,
ó palavra, esplende
na curva da noite
que toda me envolve.
Tamanha paixão
e nenhum pecúlio.
Cerradas as portas,
a luta prossegue
nas ruas do sono.

...
(Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia poética. 17.ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1983. p.172-175. )